Publicações> Artigos > Produção e Comercialização da Batata Voltar Imprimir
 

 

 
Produção e Comercialização da Batata

A  batata (Solanum tuberosum) é um tubérculo pertencente à família das Solanáceas. É um dos vegetais mais utilizados em todo o mundo, cultivando-se actualmente milhares de variedades.

Os primeiros cultivos deste legume foram na região dos Andes há cerca de mil anos atrás, sendo levado do Peru para a Europa em meados do século XVI, onde primeiramente foi cultivado como uma planta tropical exótica e com fins medicinais. Somente dois séculos depois foi incorporado na dieta regular dos europeus.

Os principais países produtores de batata, a nível mundial são a China, a Federação Russa e a Índia, atingindo uma produção de cerca de 300.000.000 toneladas/ano.

No nosso país, a batata é uma importante cultura onde se calcula que, anualmente, sejam cultivados, cerca de 47.000 hectares, dos quais aproximadamente 77% correspondem a batata de regadio, obtendo-se uma produção anual superior a 700.000 toneladas.

A batata é cultivada em todo o território nacional, preferencialmente em locais cujas temperaturas não sofram grandes amplitudes e, sobretudo, onde a ocorrência de geadas seja nula. As áreas de mercado mais representativas são Aveiro, Viseu, Montijo, Oeste, Bragança e Chaves.

Embora se produza batata ao longo de todo o ano, há dois períodos de colheita que se consideram mais importantes: Março /Abril, em que o produto vulgarmente se designa batata primor, devido ao carácter de primícia, e Julho/Agosto, conhecida por batata de conservação, dado o forte poder de conservação que o completo amadurecimento lhe confere.

Tanto as batatas primor como as de conservação podem apresentar uma epiderme branca ou vermelha. As variedades mais utilizadas são: Desirée, Kennebec, Jaerla, Spunta, Monalisa, Marine, Asterix e Stemser.

Muito rica em carbohidratos, a batata é uma grande fonte de energia. Contém ainda sais minerais, vitamina C e, em pequenas quantidades, vitaminas do Complexo B e também alguns minerais, como o potássio e o cálcio.

Embora o seu teor calórico não seja muito elevado, este pode triplicar em processos como a fritura, uma vez que o tubérculo absorve grande parte da gordura usada no método culinário.

A batata é uma hortaliça muito versátil, que pode ser utilizada numa infinidade de pratos, como sopas e guisados e também como acompanhamento versátil de carnes, aves e peixes, onde  pode ser confeccionada cozida, frita, assada, salteada, gratinada ou em puré.

Uma vez compradas, as batatas devem conservar-se o menor tempo possível em local fresco e seco, protegidas da luz. O consumidor deve ter especial atenção, no momento de compra, ao aspecto geral, forma e tamanho, assim como à sua cor, assegurando-se que não tem porções de cor verde. Esta cor na batata é indicativa da presença de um alcalóide tóxico, chamado solanina.

A batata primor inicia a sua comercialização em Abril e termina em Julho, concentrando-se esta produção apenas nos meses de Maio e Junho na região de Aveiro. A batata de conservação é comercializada ao longo de praticamente todo o ano, uma vez que as diferentes zonas produtivas permitem uma produção escalonada: as regiões de Aveiro, Oeste e Montijo produzem de Julho a Fevereiro, nas zonas de Chaves e Viseu de Setembro a Maio e na zona de Bragança de meados de Dezembro a fins de Abril. Pode ter como destino o consumo em fresco ou a transformação industrial.

Aproximadamente 50% da produção de batata é escoada através de armazenistas, grossistas e operadores comerciais, mas também existe produção transaccionada via cooperativas, mercados abastecedores, superfícies de média e grande dimensão e retalhistas.

Quanto ao comércio internacional, a batata de conservação e a batata semente são os produtos hortícolas mais adquiridos ao exterior, representando 26% e 13%, respectivamente, do valor total das entradas. A balança comercial da batata de conservação é deficitária. Os principais fornecedores de batata são a França e a Espanha. Os principais compradores da batata nacional são o Reino Unido e a França.

O consumo nacional de batata tem vindo a diminuir ao longo dos anos. Apesar desta diminuição, mantém-se um bem básico, não deixando de ser consumido nos períodos de conjuntura económica mais desfavorável. Estamos perante um produto que tem sempre muita procura, pela simples razão, de não existir no mercado nenhum produto que o substitua.

O grau de auto-suficiência de Portugal ronda os 70%, o que significa que aproximadamente 30% da batata consumida em Portugal é proveniente de países terceiros.

Nos tradicionais países europeus produtores de batata, com excepção dos Países Baixos, houve uma substancial redução geral na produção e consumo. Isto aconteceu, principalmente, devido à transformação dos hábitos alimentares dos europeus, passando do consumo da batata para o consumo de cereais, verduras e frutas.

Em Portugal, duma maneira geral, nos últimos anos, houve uma tendência generalizada para a diminuição das áreas produtoras, devido a vários factores, dos quais se destacam as baixas produtividades, custos dos factores de produção elevados, ocorrência de tempo bastante chuvoso no período de plantação e concorrência de igual produto proveniente de outros países comunitários.

Existem boas perspectivas para a cultura primor em Aveiro, uma vez que continua a ser uma cultura tradicional nesta região e uma fonte de rendimento importante. Na Beira Interior, há uma tendência para a redução da área, dada a pouca rentabilidade económica da cultura.

A batata é um dos poucos produtos com importância na UE que não é abrangido por nenhuma Organização Comum de Mercado (OCM), como tal, não existe actualmente, a nível nacional, qualquer ajuda quer para os Agrupamentos, quer para as Organizações de Produtores.

 
 
 
 
home
Página de Entrada
 
Opinião
 
Links Úteis
 
Pesquisa
 
Mapa do Sítio
     
Intranet  
 
Username:
 
 
Password:
 
     
   
Entrada    ::    OMAIAA    ::    Publicações    ::   Mercados   ::   O Seu Olhar    ::    Notícias    ::    Contactos
Copyright 2011 © Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agro-Alimentares