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A Comercialização do Pinhão em Portugal

A nível mundial, existem várias espécies de árvores produtoras de pinhão, mas, na Europa, trata-se da semente comestível do pinheiro manso, uma árvore autóctone cujo nome científico é Pinus pinea.

O pinheiro manso é originário do Mediterrâneo Oriental (Ásia Menor) e encontra-se difundido por toda a Bacia Mediterrânea, começando a rarear à medida que aumenta a distância ao Mediterrâneo e as condições ecológicas se modificam.

Em Portugal, esta cultura ocupa uma área de cerca de 78.000 hectares, dos quais 68% estão localizados no distrito de Setúbal e, em especial, no concelho de Alcácer do Sal, considerado o ‘’Solar do Pinheiro Manso’’.

Esta espécie desenvolve-se em solos frescos e profundos, principalmente arenosos, incluindo areias marítimas e dunas fixas. Requer luz abundante e um clima algo quente, não suportando geadas fortes e contínuas. É muito importante a sua acção protectora nos terrenos arenosos, contribuindo principalmente para a fixação das dunas, permitindo obter rendimento florestal em terrenos estéreis, pouco ou nada produtivos, devido ao seu carácter arenoso. Como árvore ornamental tem um grande valor, sendo inconfundível devido ao formato da sua copa, que em jovem é esférica, passando depois a semi-esférica.

Os frutos do pinheiro manso são as pinhas , que são grandes, sésseis, quase esféricas, castanho-claras na maturação, dentro das quais se desenvolvem as sementes comestíveis - os famosos pinhões.

Possuindo um alto valor calórico e ricos em minerais como magnésio, cálcio e fósforo e ácidos gordos mono e polinsaturados, os pinhões possuem ainda um elevado conteúdo proteico para uma espécie vegetal. Na realidade, possuem cerca de 20 aminoácidos, estando entre eles a maioria dos aminoácidos essenciais ao crescimento e desenvolvimento muscular. Não admira que as legiões Romanas levassem nas suas rações de combate, doses abundantes de pinhões, e que desde sempre, estes frutos tivessem entrado na alimentação dos povos da bacia do Mediterrânico.


O pinheiro manso é uma espécie florestal que permite múltiplas utilizações – além dos pinhões comestíveis – que podem degustar-se crus ou tostados e acompanham pratos de carne, de peixe, saladas e doçaria – fornece material lenhoso e resina, que abastece as indústrias de mobiliário, papel e vernizes. A casca de pinha e a casca do pinhão são susceptíveis de ser utilizados como combustível, já que apresentam elevado poder calorífico. Desta forma, estes subprodutos constituem uma forte receita adicional e decrescente importância no processo fabril de aproveitamento do pinhão.

A produção de pinha, sem grandes exigências em custos, tem fortes implicações a nível social e económico, na medida em que a sua apanha, de forma tradicional, movimenta muita mão-de-obra, a qual é relativamente bem remunerada. Em Portugal, produzem-se anualmente 60 a 70 milhões de pinha e 600.000 a 700.000 toneladas de miolo de pinhão.

A colheita da pinha ocorre entre Dezembro e Março, com um pico no mês de Fevereiro. Após a colheita e quebra da pinha procede-se ao descasque do pinhão, à sua lavagem, secagem, escolha e embalagem. A sua conservação é delicada, uma vez que rançam rapidamente.

Tratando-se de um bem que não é essencial e que é utilizado com aperitivo ou na confeitaria, a comercialização do pinhão desenrola-se ao longo do ano, a sua procura no mercado não é constante, possuindo um pico de vendas em Dezembro nas épocas festivas -  Natal e Ano Novo.

A balança comercial é muito favorável - cerca de 95% da produção nacional destina-se ao mercado externo. Os principais compradores são a Itália e a Espanha. Este último país compra em Portugal pinhão em casca, isto é, matéria-prima, que é transformada nas suas indústrias, sendo depois vendido a outros países como pinhão espanhol. Esta situação faz com que o pinhão nacional tenha vindo a perder ‘’ terreno’’ nos seus mercados tradicionais de exportação. Nas estatísticas do INE aparece Espanha como o principal fornecedor de pinhão ao mercado nacional. Na realidade, a maioria deste pinhão é de origem chinesa e turca, entrando em Portugal via Espanha.

No futuro, perpectiva-se um aumento da produção de pinha/pinhão, mercê dos investimentos efectuados a nível de novas plantações, até porque a taxa de sobrevivência do pinheiro manso atinge com facilidade os 80 a 90%.

 
 
 
 
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