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A Produção e Comercialização da Ervilha

A ervilha (Pisum sativum) foi domesticada no Próximo Oriente - Turquia e Iraque – no início do Neolítico. Juntamente com a lentilha, o grão-de-bico, o trigo e a cevada, foi das primeiras plantas a serem domesticadas no Crescente Fértil, onde é cultivada desde há, pelo menos, 9000 anos. Após a domesticação, a ervilha acompanhou a disseminação da agricultura para a Europa e para a Ásia Central e Oriental.

Tal como as outras Fabáceas, a ervilha pode ser cultivada pelas suas sementes (grãos) secas, pelas sementes imaturas ou pelas vagens imaturas. Nos países desenvolvidos, a ervilha é consumida predominantemente na forma de grãos imaturos enlatados ou congelados. Já nos países em vias de desenvolvimento, a cultura para grão seco é preferida devido à facilidade de armazenamento. A principal utilização da ervilha nos países industrializados é, no entanto, como fonte de proteína na preparação de alimentos para animais.

A produção mundial de ervilha verde é de cerca de 9,1 milhões de toneladas, tendo sofrido um acréscimo de quase 70% desde 1980. A produção de ervilha seca ronda as 10,1 milhões de toneladas e tem sofrido uma ligeira tendência decrescente desde 1990.

A Índia é o maior produtor mundial de ervilha, com um volume anual que representa cerca de 35% da produção mundial. Segue-se-lhe a China, com cerca de 23% da produção mundial. A U.E. é responsável por aproximadamente 16% e os E.U.A. por cerca de 10%, da produção mundial. Na U.E. a França é o maior produtor, com cerca de 5% do total mundial. As maiores produtividades desta cultura são obtidas na Bélgica, Países Baixos e França (14-18 t/ha). A produtividade na Índia e na China ronda as 9 t/ha.

O desenvolvimento da indústria de produtos hortícolas congelados teve lugar em Portugal no início da década de 1970, tendo incentivado a produção horto-industrial da ervilha. Na fase inicial do desenvolvimento da cultura horto-industrial, houve um importante centro de produção na região de Aveiro. Actualmente, produz-se ervilha para indústria predominantemente no Ribatejo e Oeste. A ervilha para comercialização em fresco produz-se principalmente no Ribatejo e Oeste e no Algarve.

A ervilha em grão, depois de retirada da vagem, pode ser usada em sopas e purés, cozida como acompanhamento de carne ou peixe, integrando pratos como a ''jardineira'', o ''arroz de ervilhas'' ou desempenhando o papel principal, como nas ''ervilhas guisadas com ovos escalfados''.

À ervilha de quebrar, uma vez que é consumida com a vagem, devem retirar-se-lhe as pontas e o fio. Pode ser usada para guisar ou cozer, embora não seja muito popular no nosso país.

As ervilhas secas destacam-se pela sua riqueza energética, devido ao seu alto teor em hidratos de carbono (essencialmente amido) e proteínas vegetais. O seu teor em gordura não é relevante. A pele das ervilhas é muito rica em fibra, o que lhe confere uma textura dura e rígida. Destacam-se dos restantes legumes pelo seu teor em vitamina B1. São também moderadamente ricas em ferro, potássio e cálcio.

As proteínas das ervilhas são incompletas, ou seja, não contêm todos os aminoácidos essenciais. Desta forma é importante combinar estas leguminosas no prato com proteínas provenientes dos cereais (arroz, pão, massa, etc), de modo a completar o perfil de aminoácidos e proporcionar equilíbrio proteico.

O seu principal inconveniente é o facto de serem indigestas, no entanto, este aspecto pode ser melhorado se as ervilhas forem muito bem cozinhadas e removidas as peles.

No momento de compra, convém escolher as ervilhas que se encontrem limpas, não danificadas nem partidas e convém também que todas elas tenham um tamanho uniforme, para que cozinhem em simultâneo. As ervilhas secas conservam-se muito tempo em local seco, protegido da humidade e da luz directa. Convém guardá-las num recipiente com fecho hermético.

A balança comercial é fortemente deficitária. Tem havido um decréscimo nas compras de ervilha ao exterior, sendo que Espanha é, praticamente, o único fornecedor (96% em quantidade e em valor). As vendas ao exterior deste produto situam-se em níveis muito baixos e em 2005 diminuíram quase 75% relativamente ao ano transacto.

Perspectiva-se uma diminuição de importância da produção de ervilha em fresco no Oeste. A forte concorrência de produto espanhol e o aumento do consumo da ervilha congelada e/ou embalada, mais prática e rápida de utilizar, são algumas das razões. Na região algarvia, verifica-se o abandono da cultura de sequeiro e das áreas de pequenos produtores.

 
 
 
 
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