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  Produtores de milho nacionais ganham com valorização na bolsa

As alterações climáticas e a crise financeira mundial, que aguçou o interesse de especuladores pelos mercados de futuros de matérias primas, têm vindo a contribuir para o aumento substancial das cotações dos cereais.

Após uma valorização de 25 por cento só no mês de junho, a cotação do milho atingiu em julho o valor recorde de 8 dólares por alqueire (cerca de 235 euros por tonelada) – situação que poderá "criar algum sofrimento nos consumidores", mas também proporciona alguma rentabilidade aos cerca de 100 mil produtores nacionais, segundo Luís Vasconcellos e Sousa, presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo e da Agromais, o maior agrupamento de produtores de cereais em Portugal.

"Há aqui uma oportunidade para os agricultores portugueses, pelo menos a curto prazo. O problema é que, com tal volatilidade, não é possível fazer previsões de médio ou de longo prazo", lamenta Luís Vasconcellos e Sousa.

Atualmente, cerca de 100 mil produtores portugueses cultivam 150 mil hectares, de onde retiram cerca de 750 mil toneladas de milho por ano. Uma colheita que, aos preços atuais, vale mais de 176 milhões de euros, quando há apenas 10 anos não passava dos 67 milhões de euros. "Neste momento, Portugal ainda só produz cerca de um terço do milho que consome e 20 por cento do trigo, ou seja, está numa situação de fraqueza quando poderia tirar melhor proveito dos recursos que possui", afirma Luís Vasconcellos e Sousa.

Enquanto as alterações climáticas fizeram chover de mais na Ásia e secaram os campos na América, Portugal beneficiou de uma relativa estabilidade e, pelo menos, manteve o acesso à agua para regadio.

A água é mesmo um dos mais preciosos recursos do nosso país e pode ser a chave para a competitividade na agricultura, por isso Luís Vasconcellos e Sousa acredita que a PAC europeia terá de "assumir posições diferentes das do passado, quando colocou em causa a sua própria auto-suficiência".

Portugal "tem vantagens, a par dos outros países do Sul da Europa", que não foram afetados, como no Norte, com inesperadas vagas de calor ou chuvas torrenciais. Em termos de procura, o aumento da população mundial e a mudança nos hábitos de consumo nos países emergentes, com a maior procura da carne, criada à base de ração que inclui vários cereais, e com o deficit permanente, quer da Europa, quer de Portugal, as perspetivas mantêm-se positivas para os produtores nacionais. A única inimiga à vista é a especulação, contra a qual a própria FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) já alertou que poderão ter de ser tomadas medidas, uma vez que, pelo lucro bolsista, inflaciona o preço de alimentos fundamentais para a sobrevivência de milhões de pessoas em todo o mundo.


Fonte:Dinheiro Vivo

 
 
06-08-2012
       
 
   
 
 
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