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  Alerta para o risco de extinção do sector leiteiro

A eurodeputada social-democrata M. Patrão Neves alertou o Comissário da Agricultura para o risco de extinção da produção de leite em algumas regiões europeias, e especificamente em Portugal, fazendo eco do apelo lançado pela Associação dos Produtores de Leite de Portugal/Aprolep, no passado dia 24 de Agosto.
 
Patrão Neves, solidária com a posição da Aprolep, reiterou “que o aumento dos custos de produção e a diminuição do preço pago por litro de leite, exercem uma crescente asfixia sobre os produtores”. E acrescentou que “esta situação dramática em Portugal se vai agravar com o forte aumento do preço dos cereais em todo o mundo devido à seca extrema nos designados ‘celeiros do mundo’, também já é sentida em diversos Estados-membros mesmo naqueles que defendem a abolição das quotas, como sejam o Reino Unido, Holanda, Alemanha (Baviera)”.
 
Na pergunta escrita prioritária que dirigiu ao Comissário Europeu, Patrão Neves interroga-o acerca das “iniciativas que se propõe implementar para controlar o preço dos cereais, das acções planeadas para promover uma distribuição justa do rendimento ao longo da fileira do leite, viabilizando a sobrevivência dos produtores, e ainda das medidas urgentes a introduzir no sector do leite para promover a sustentabilidade da produção nas regiões que tradicionalmente o produzem, garantindo o rendimento justo a quem produz.”
 
Segundo Patrão Neves “a única proposta da Comissão para o sector é o “Pacote do Leite” que não traz nada de novo, uma vez que os contractos entre a produção e a indústria já existiam e continua a deixar a distribuição de fora; além disso, é insuficiente porque não constitui solução para os pequenos produtores ou para as cooperativas que predominam nos países do Sul, como Portugal; e também ainda nem sequer entrou em vigor.”
 
Nos Açores a situação ainda não é tão grave como no continente devido ao bom ano de milho (apesar de afectado pela passagem do furacão Gordon) e, sobretudo, devido ao excelente ano de erva. “A alimentação dos animais com erva é não só uma mais-valia em termos de qualidade do produto final, mas também o nosso melhor recurso para obter preços de produção mais baixos, permitindo-nos ser mais competitivos” – sublinhou a eurodeputada.
 
A este propósito acrescentou que “devíamos investir muito seriamente no ensaio de várias sementes para selecionar as que melhor se adaptam ao nosso clima, terreno, diferentes altitudes, etc. de forma a conseguirmos aumentar a percentagem de alimentação do gado com erva ao longo do ano. É evidente que não podemos prescindir totalmente das rações e estas vão subir devido ao aumento do preço dos cereais, pelo que os próximos largos meses podem ser de dificuldades.”
 
O eurodeputado português Capoulas Santos, por seu lado, instou a Comissão Europeia a adotar medidas urgentes ao nível comunitário para fazer face à crise no setor leiteiro, advertindo que muitas explorações correm o risco de ter de encerrar "a muito curto prazo" 
 
O eurodeputado socialista e antigo ministro da Agricultura questiona a Comissão sobre as ações que esta pretende tomar, sustentando que os decisões políticos “não podem permanecer indiferentes” à situação no setor, particularmente grave em Portugal.
 
Apontando que os produtores de leite têm vindo a sofrer o esmagamento das suas margens de lucro, tendo em conta o "efeito conjugado da baixa dos preços pagos à produção e do aumento do custo das matérias primas para a alimentação dos animais”, Capoulas Santos indica que "o preço pago aos produtores mal cobre os custos com a alimentação animal", estimando que cerca de 80 por cento das receitas por exploração correspondem ao custo com a alimentação animal.
 
O eurodeputado defende, por isso, uma adequada regulação do mercado do leite para que seja possível "garantir preços à produção minimamente remuneradores", admitindo ser necessário prever derrogações à lei da concorrência, de forma a ter em conta a especificidade da atividade agrícola, tal como reconhecida nos termos da legislação comunitária.
 
"Muitos produtores estão desesperados, como tive oportunidade de confirmar pessoalmente há poucos dias no meu país. A não serem urgentemente adotadas medidas, muitas explorações fecharão as portas a muito curto prazo", adverte Capoulas Santos no texto enviado à Comissão.
 
 
 
 
Fonte: Rádio Atlântida/AgroNotícias
 
 
03-09-2012
       
 
   
 
 
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