Notícias > Zona euro: crise e deflacção
  Voltar Imprimir
 

 

 
  Zona euro: crise e deflacção

Moeda única estagnou no segundo trimestre. A inflação encontra-se perto de zero. Economistas alertam para os riscos.

Economias a estagnar ou a entrar novamente em recessão, preços a recuar, metas do défice a caírem por terra. No segundo trimestre a moeda única volta a lidar com fantasmas de uma crise que teima em não acabar.

Na quinta-feira, o Eurostat confirmou aquilo que os analistas receavam: a zona euro estagnou no segundo trimestre. A Alemanha e a Itália viram o PIB recuar e França estagnou. Das maiores economias, só mesmo Espanha resiste, apesar de ainda lidar com os problemas no sistema financeiro e o desequilíbrio das contas públicas.

"É mais um regresso à realidade para a zona euro, um ‘wake-up call' de que é preciso fazer mais, sobretudo em França e Itália", afirmou à Bloomberg Alexander Koch, economista da casa de investimentos Raiffeisen Schweiz.

Em França, este ano, o PIB ainda não conseguiu sair do zero e no Eliseu admite-se já um impacto irreversível nas contas públicas. O presidente François Hollande alertou que o país irá falhar a meta do défice prevista para 2014 nos Procedimentos por Défices Excessivos de Bruxelas, porque não quer estrangular ainda mais a economia com austeridade adicional.

Até a Alemanha, a campeã da disciplina orçamental, está a ver a economia a andar para trás. O nome que lhe está associado é o do presidente russo, Vladimir Putin, do conflito com a Ucrânia e do embargo que impôs aos produtos europeus. "A questão em relação à crise ucraniana reside em saber qual será o impacto exacto", afirma Nick Kounis, economista do ABN Amro.

A dimensão dos prejuízos é incerta, mas que o efeito se vai prolongar parece ser já uma certeza. "As tensões geopolíticas não parecem querer abrandar, por isso há pouca probabilidade de o crescimento acelerar na segunda metade do ano", avisa Peter Vanden Houte, economista-chefe do ING Groep para a zona euro.

Os fantasmas de uma nova recaída começam a pairar sobre a moeda única, que tombou aos pés da crise de dívida em 2011, quando pensava estar a levantar-se da crise económica mundial de 2009 - com origem na bolha financeira do ‘subprime'.

As semelhanças com o Japão começam a aparecer. A economia nipónica viveu uma década perdida a partir do final dos anos 90, que começou com uma bolha financeira a rebentar, passou por uma crise de dívida e evoluiu para uma crise económica com deflação e recessão.

Ora, bolha financeira a rebentar, confere. Crise de dívida, confere. Deflacção? Ainda não chegou, mas há países que já a vislumbram. É o caso de Portugal, que em Julho viu os preços recuarem 0,7% em termos homólogos. A economia nacional vai um passo à frente das outras neste risco particular, levando já seis meses seguidos de taxas negativas de inflacção. Mas a ameaça paira por toda a zona euro, onde a média das taxas não passa dos 0,4%. Das 18 economias da moeda única só duas - Áustria e Luxemburgo - têm os preços a subir a um ritmo superior a 1%.

O Banco Central Europeu (BCE) lançou em Junho um pacote de estímulos no valor de 400 mil milhões de euros por forma a combater a ameaça de deflacção. Mas pode ser forçado a mais. "A economia ainda está frouxa e a inflacção muito baixa, os sinais de travagem na retoma adensam-se e podem ser necessários mais estímulos monetários", diz Kounis.

Para este ano, o reforço da artilharia já não virá a tempo, diz Thomas Harjes, economista do Barclays, sublinhando a "forte probabilidade" de a Comissão Europeia ser obrigada a rever em baixa as previsões de crescimento e inflação em Setembro, quando divulgar as projecções de Outono.

E mesmo em 2015 as acções do BCE podem ser insuficientes. "Se a estagnação continuar e o crescimento não se materializar, pode haver um regresso à crise, independentemente do que o BCE fizer", conclui Alexander Koch.

Fonte : Económico

 
 
18-08-2014
       
 
   
 
 
home
Página de Entrada
 
Opinião
 
Links Úteis
 
Pesquisa
 
Mapa do Sítio
     
Intranet  
 
Username:
 
 
Password:
 
     
   
Entrada    ::    OMAIAA    ::    Publicações    ::   Mercados   ::   O Seu Olhar    ::    Notícias    ::    Contactos
Copyright 2011 © Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agro-Alimentares