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  Europa é "inundada" por leite um ano após o fim do sistema de quotas

Na exploração de 80 hectares de Leon Backs, em Rutten, no centro da Holanda e a uma hora de Amesterdão, não se vê vacas e sim campos de tulipas de diversas cores.

A pastagem está quase toda plantada com esta flor que faz o país ser chamado de floricultura do mundo. As 120 vacas estão concentradas no estábulo ao lado da residência, e só se deslocam ali dentro para serem ordenhadas por dois robôs.


«A situação está difícil, tive que alugar muitos hectares a produtores de tulipas para compensar a perda com o leite», diz Leon, 35 anos de idade, que trabalha sozinho, na exploração que comprou ao pai em 2009. Afirma que há dois anos recebia 0,40 euros por quilo de leite, mas agora o preço despencou para 0,25 euros. Ao arrendar a pastagem para a produção de tulipas, ganha 2.750 euros anualmente por hectare (ha).

Esta situação deve-se ao facto da Europa estar "inundada" por leite, um ano depois do fim do sistema de quotas que limitava a produção no sector. A história de Leon ilustra a crise que vivem actualmente os produtores europeus, desde que, a partir de Abril de 2015, passaram a poder produzir e exportar o quanto desejarem.

Na expectativa dessa liberalização, criadores, sobretudo na Holanda, Bélgica, Dinamarca e Irlanda, compraram mais vacas e mais terras, produzindo mais para conquistar novos mercados, em particular a China. Mas, já em 2014, a Rússia havia decretado um embargo aos produtos agrícolas europeus, fechando um mercado para os queijos do velho continente. Além disso, a China, maior importadora mundial de leite em pó, travou bruscamente suas importações deste produto, um clima favorável que ajudou os concorrentes da Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos a aumentarem sua produção.

Os preços no mercado internacional, que começaram a cair no fim de 2014, cairam com a superprodução europeia. Só em Outubro de 2015 a Irlanda elevou seu volume de leite em 48 por cento e a Holanda, em 16,8 por cento. Entre Janeiro e Fevereiro deste ano, a alta do volume na Europa fez a produção global crescer 3,4 por cento. «Produzimos 1,7 milhão de toneladas a mais em pouco tempo, e o excesso de oferta nos impede de obter preço remunerador, ameaça fazendas e estruturas regionais», diz Regina Reiterer, assessora do European Milk Board (EMB), que reúne produtores de 15 países.

Além da queda de preços, a situação agravou-se com o aumento dos custos de produção. Segundo o EMB, as perdas são «inacreditáveis». O exemplo mais significativo vem da Alemanha, o maior produtor, onde custa 0,4494 euros produzir um quilo de leite, mas o produtor recebe 0,2866 euros pelo produto, ou seja, apenas 64 por cento dos custos estão cobertos pelo preço recebido.

Depois que milhares de produtores bloquearam o centro de Bruxelas, sede da União Europeia (UE), com tratores e queimaram fardos de feno, atraíram a atenção para a crise no sector. Recentemente, a UE aprovou um plano de restrição voluntária de produção em troca de ajuda para melhorar a imagem do sector, por exemplo. Mas associações de produtores dizem que, sem coordenação, os cortes voluntários de produção não funcionam.

A produção global de leite e produtos lácteos alcançou 800,7 milhões de toneladas em 2015. A UE produz cerca de 20 por cento desse total, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). As exportações globais somaram 71,3 bilhões de dólares no ano passado, e os europeus exportaram 17,8 bilhões.

A Holanda, pequeno país de 17 milhões de habitantes, é um dos maiores produtores de lacticínios da Europa. O sector, no país, representa 12 bilhões, cerca de 35 por cento da produção é consumida internamente, 45 por cento exportada a outros países da Europa e 20 por cento para o resto do mundo.

Os holandeses prepararam-se para o fim do regime de quotas, para produzir mais e tomar rapidamente fatias de mercado. A produção, que somara 11 bilhões de quilos de leite em 2010, pulou para 13,5 bilhões de quilos em 2015 e aproxima-se rapidamente da meta de 14 bilhões de quilos que era prevista para 2020. Mas seus produtores alegam que reduzir os volumes não terá efeito no preço internacional porque representam só dois por cento do total global.

Os pecuários holandeses são conhecidos pela alta produtividade no sector. O rebanho médio no país é de 80 vacas. Enquanto uma vaca produz 6.777 quilos de leite por ano na média europeia, na Holanda, o volume chega a 9.500 quilos por ano.

 Fonte: Valor Económico; Equipe MilkPoint

 
 
18-05-2016
       
 
   
 
 
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