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  Suspensão de exportação de carne brasileira pelos Estados Unidos é ‘contratual’

As irregularidades apontadas por autoridades norte-americanas na carne bovina brasileira, ligadas a reação à vacina contra a febre aftosa, referem-se a questões contratuais e não representam risco sanitário, segundo fontes.

Em decorrência da queixa apresentada pelos norte-americanos, o Ministério da Agricultura anunciou anteontem a suspensão das exportações da proteína animal de cinco frigoríficos brasileiros para os EUA. A proibição continuará em vigor até que sejam adotadas “medidas corretivas”, disseram técnicos do ministério.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, os abcessos encontrados na carne estariam relacionados as componentes da vacina, que teriam causado uma reação alérgica no local. Ele explicou que as exportações - assim como qualquer tipo de operação de compra e venda - estão sujeitas a regras e critérios previstos em contrato. “O importador abrir um pedaço de carne e ao encontrar nela um abscesso é motivo para suspender as compras, pois este problema não está em conformidade com a especificação acordada anteriormente”, disse o executivo.

O representante da Abiec fez questão de ressaltar, porém, que esses abcessos têm o potencial de causar dano à imagem do produto brasileiro, pela perda de qualidade. Além disso, os cuidados que devem ser tomados pelos produtores aquando da vacinação para evitar a formação desses abcessos também representam custos adicionais. Camardelli comenta que parte do problema está relacionado à própria vacina, que continua apresentando alguns problemas e até agora nenhuma correção foi feita por parte dos fabricantes.

Enrico Ortolani, da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, explicou que a reação do bovino à vacina não representa um risco sanitário, de doença ou contaminação. "Trata-se  de uma reação alérgica local. O nódulo aparece apenas na região em que a vacina foi aplicada". Ortolani diz-se surpreso com a suspensão, uma vez que o fenómeno também acontece em outros continentes que ainda vacinam os animais contra a febre aftosa , como a África e a Ásia.


Fonte: Gazeta do Povo - Agronegócio

 
 
26-06-2017
       
 
   
 
 
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