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  Produção e comercialização de pinhão

Com uma balança comercial extremamente favorável, onde cerca de 95% da produção nacional destina-se ao mercado externo, a produção e comercialização de pinhão é uma das atividades agroflorestais mais atrativas.

Em Portugal, esta cultura ocupa uma área de cerca de 78.000 hectares, dos quais 68% estão localizados no distrito de Setúbal e, em especial, no concelho de Alcácer do Sal, considerado o ‘’Solar do Pinheiro Manso’’.

Normalmente, as primeiras pinhas num pinheiro manso aparecem, ainda que em pouca quantidade, por volta dos 3-4 anos. Porém, a entrada em produção com algum interesse para colheita acontece por volta dos 15-20 anos, atingindo o pico da sua produção aos 40-50 anos, e começando a decrescer a partir dos 80-100 anos.

A produção de pinha, com custos de produção relativamente baixos, tem fortes implicações a nível social e económico, devido à colheita quando feita de forma tradicional (manual), movimentando muita mão-de-obra, a qual é relativamente bem remunerada. Em Portugal, produzem-se anualmente 60 a 70 milhões de pinha e 600.000 a 700.000 toneladas de miolo de pinhão.

Por disposição legal, a colheita de pinhas de Pinheiro manso só é permitida de 15 de dezembro a 31 de março. O objetivo é impedir a apanha ilegal de pinhas antes do seu completo amadurecimento, assegurando assim a qualidade do produto assim como a colheita do ano seguinte.

Comercialização

Tratando-se de um bem que não é essencial e que é utilizado como aperitivo ou na confeitaria, a comercialização do pinhão desenrola-se ao longo do ano, mas sua procura no mercado não é constante, possuindo um pico de vendas em dezembro nas épocas festivas – Natal e Ano Novo.

A comercialização da pinha pode ser realizada de várias formas: vender a pinha na árvorecolher e vender a produção de pinha, ou colher, processar a pinha e vender pinhão negro.

A balança comercial é muito favorável a Portugal – cerca de 95% da produção nacional destina-se ao mercado externo.

Os principais compradores são a Itália e a Espanha. Este último país compra em Portugal pinhão em casca, isto é, matéria-prima, que é transformada nas suas indústrias, sendo depois vendido a outros países como pinhão espanhol. Esta situação faz com que o pinhão nacional tenha vindo a perder ‘’ terreno’’ nos seus mercados tradicionais de exportação. Nas estatísticas do INE, Espanha aparece como o principal fornecedor de pinhão ao mercado nacional. Na realidade, a maioria deste pinhão é de origem chinesa e turca, entrando em Portugal via Espanha.

No futuro, perpetiva-se um aumento da produção de pinha/pinhão, mercê dos investimentos efetuados a nível de novas plantações, até porque a taxa de sobrevivência do pinheiro manso atinge com facilidade os 80 a 90%.

Características

Com um alto valor calórico e rico em minerais como magnésio, cálcio e fósforo e ácidos gordos mono e polinsaturados, o pinhão possui ainda um elevado conteúdo proteico para uma espécie vegetal. Na realidade, possuem cerca de 20 aminoácidos, estando entre eles a maioria dos aminoácidos essenciais ao crescimento e desenvolvimento muscular. As legiões Romanas eram apreciadores desta semente, estando presentes doses abundantes de pinhões nas suas rações de combate. Estes frutos sempre fizeram parte da alimentação dos povos da bacia do Mediterrânico.

O pinheiro manso é uma espécie florestal que permite múltiplas utilizações – além dos pinhões comestíveis – que podem degustar-se crus ou tostados e acompanham pratos de carne, de peixe, saladas e doçaria – fornece material lenhoso e resina, que abastece as indústrias de mobiliário, papel e vernizes. A casca de pinha e a casca do pinhão são suscetíveis de ser utilizados como combustível, já que apresentam elevado poder calorífico. Desta forma, estes subprodutos constituem uma forte receita adicional e decrescente importância no processo fabril de aproveitamento do pinhão.

Fonte: marketingagricola.pt

 
 
03-07-2017
       
 
   
 
 
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