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  O que fez a crise aos hábitos de consumo dos portugueses

Em cinco anos, menos despesa com lazer, cultura, restaurantes, bebidas alcoólicas e tabaco. Bens mais essenciais ganharam peso.

Os anos de crise na economia forçaram os portugueses a redefinirem as suas prioridades nas despesas que efetuam. Os dados publicados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que no período de cinco anos após o início da mais recente crise económica em Portugal, não só o montante médio da despesa de cada família não acompanhou a evolução da inflação, como se assistiu a uma transferência do consumo de bens mais supérfluos para os mais essenciais.

Os dados estão presentes na nota da autoridade estatística sobre os orçamentos familiares no período de 2015/2016. De acordo com o INE, a despesa total anual média de uma família portuguesa foi de 20.363 euros, menos 28 euros do que em 2010/2011, a última vez que foram publicados estes dados pelo INE.

Este recuo, mesmo que ligeiro, reflete, num cenário em que se registou uma subida dos preços, as dificuldades sentidas pelos portugueses durante o período de recessão económica em manter o mesmo tipo de hábitos de consumo do passado.

Essas dificuldades tornam-se ainda mais notórias quando se olha para a forma como foi distribuída essa despesa. Os dados publicados pelo INE revelam que os tipos de despesas que viram o seu peso aumentar durante estes cinco anos com “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” e com “habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis”. Em conjunto, estas duas componentes da despesa passaram a representar 46,2% do total, contra 42,5% há cinco anos.

Para que este tipo de consumo, relacionado com bens mais essenciais, ganhasse peso, onde é que os portugueses deixaram de gastar tanto? A resposta não surpreende: a despesa com “lazer, recreação e cultura” passou de 5,3% do total para 4,2%; com restaurantes e hotéis caiu de 10,4% para 8,8%; e com bebidas alcoólicas, tabaco e narcóticos diminuiu de 1,9% para 1,6%.

Passar de bens supérfluos para essenciais é uma opção habitual em tempos de crise e de maior aperto nos orçamentos. E nos últimos cinco anos, isso foi particularmente evidente, tendo-se registado, nos dados existentes desde 2000, à primeira inversão da tendência de diminuição do peso dos bens alimentares no orçamento dos portugueses.

Em termos geográficos, os dados do INE revelam que apenas na Grande Lisboa e no Algarve se registou um aumento da despesa média das famílias entre 2010/2011 e 2015/2016, o que parece apontar para um agravamento das divergências regionais no país.



Fonte: Anilact / Público

 
 
18-07-2017
       
 
   
 
 
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