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  Informações sobre a seca nos EUA e em Portugal


EUA

Os últimos dias com chuvas sendo registados no Corn Belt tiraram parte da força de alta do mercado internacional de grãos e o avanço das cotações na Bolsa de Chicago acabou sendo menos intenso na semana passada. No entanto, a atualização de 27 de julho, do Drought Monitor - um sistema oficial do governo americano que monitoriza a seca nos EUA - mostra que as condições de seca estão a aumentar por uma área maior, reduzindo os níveis de humidade do solo. 

O cenário, portanto, segue castigando as safras na medida em que a seca e a estiagem "anormais" neste momento continuam pelas Planícies, Meio-Oeste e Virginia. 

No Montana, por exemplo, a "seca excecional" - como é classificado o nível mais severo - saltou 10 pontos em uma semana. Quase 12% do estado está nessas condições, enquanto na Dakota do Norte esse índice chega a 8%. 

Já no Corn Belt, a "seca severa" agora pode ser observada também no centro sul de Iowa, mas apenas a 1,66% da área, ainda segundo informações do Dorught Monitor. Os estados localizados ao leste do rio Mississippi estão 'livres' da seca, porém, isso poderá mudar durante esta semana. 

O meteorologista do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), Bradd Rippey, mostra que as condições de seca têm intensificado por todo o centro dos EUA, especialmente no Corn Belt. Enquanto estados como a Dakota do Norte, Dakota do Sul e Montana têm o índice que mostra essa evolução da seca subindo alguns pontos, no cinturão de produção o aumento foi ainda mais significativo, com percentagens já de dois dígitos. Em todo o país, o território de cobertura da seca é de, atualmente, 10,98%.

As atuais condições do clima nas principais regiões produtoras de grãos dos Estados Unidos já têm resultado em estimativas menores de produtividade do trigo, por exemplo. Além disso, o mercado recebeu, também na quinta-feira passada, atualizações dos mapas climáticos do NOAA, o serviço oficial de clima dos Estados Unidos, os quais voltam a mostrar tempo quente e seco no intervalo dos próximos 6 a 10 dias. 


PORTUGAL


O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) já disponibilizou os dados da primeira quinzena deste mês. E o que mostram é que estamos a assistir ao terceiro mês de Julho mais seco dos últimos 17 anos.

Nos primeiros 15 dias do mês, apesar de a seca severa ter registado ligeiras melhorias na região Norte do país (de 72,3% para 70,7%), a seca extrema agravou-se no interior do Alentejo (de 7,3% para 7,6%). Isto de acordo com o PDSI (Palmer Drought Severity Index), um índice de monitorização da seca calculado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) com base na quantidade de chuva, temperatura do ar e capacidade de água disponível no solo.

Comparando os valores globais de Junho com uma avaliação parcial de Julho, “a variação foi pouca”, segundo a meteorologista da divisão de clima e alterações climáticas do IPMA, Vanda Pires.

Se no fim de Junho 79,6% do país estava em seca severa (72,3%) ou extrema (7,3%), em meados de Julho houve uma redução de 1,3 pontos percentuais (70,7% do território em seca severa e 7,6 em extrema) devido à ocorrência de alguma precipitação na região do Gerês, nomeadamente em Montalegre e Cabril (no distrito de Vila Real).

Junho foi considerado um mês muito seco, com a precipitação a 30% do seu valor médio e, “nos primeiros 15 dias de Julho, a percentagem de água no solo registada no Centro e no Sul do país diminuiu”, de acordo com Vanda Pires.

Desde 2001, os índices de seca mais preocupantes datam de 2004/2005, anos que a técnica do IPMA garante terem sido muito complicados devido aos níveis de precipitação extremamente reduzidos.

Julho deste ano entra para o top 3 das secas mais graves em período homólogo desde a viragem do século. Até 15 de Julho os dados mostram-nos que temos 7,6% do território em seca extrema, mas ainda assim, este valor não se compara com os 73% registados em 2005 ou os 58% de 2012, de acordo com os dados do IPMA.

Mas se conseguimos perceber “quando” e “onde” chove mais graças ao IPMA, não é este instituto que nos dá respostas relativamente à disponibilidade real de água, mas o Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), que disponibiliza mensalmente a situação das albufeiras, de Norte a Sul do país.

Quando a agricultura entra na equação, e passamos a falar de uma seca agrometeorológica (e não apenas meteorológica) temos de ter em conta como a maior ou menor disponibilidade de água condiciona a atividade agrícola. Sem água, o crescimento das diferentes culturas fica comprometido e o que se perde não é apenas o que fica seco, mas também o que subsiste sem as dimensões e qualidade exigidas.

Na primeira reunião da Comissão Permanente da Seca, a 19 de Julho, o ministro do Ambiente dizia que as barragens não registavam níveis tão baixos desde 1995 e que 16 albufeiras estavam a menos de 40% da sua capacidade.

As bacias hidrográficas dos rios Lima, Ave e Arade estão acima do expectável, mas a do Sado é a “dor de cabeça” das populações e dos governantes — com 28,1% da sua capacidade de armazenamento.

O especialista em alterações climáticas, Francisco Ferreira defende que uma das chaves para combater a seca é o estudo do clima, tendo em conta que “a precipitação e a temperatura são condições que determinam a possibilidade de ocorrência e a intensidade deste fenómeno”.

De acordo com as recentes conclusões do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, o diretor da associação ambientalista Zero diz estarem a reunir-se “as condições ideais para que ocorram ‘mega-incêndios’”. Além das condições meteorológicas e climáticas que não abonam a favor do país, Francisco Ferreira lembra ainda “as características da floresta, que não ajudam”. Embora reconheça que o Governo está a tomar precauções, considera que já houve um atraso na aplicação e articulação das medidas apresentadas.


Fonte: Notícias Agrícolas / Público

 
 
31-07-2017
       
 
   
 
 
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